A era em que serviços viram software.
A tese fundamental da MVA. Por que agentes de IA vertical vão redesenhar o trabalho intelectual em mercados regulados do Brasil — e por que operar produtos e fazer advisory no mesmo holding é a resposta certa para esse momento.
Publicado em 2026 · Última atualização: abril 2026
A fronteira se moveu de ferramentas para outcomes
A primeira era do software corporativo, dos anos 2000 em diante, foi sobre ferramentas. SaaS vendia controle: um CRM para gerenciar leads, um ERP para gerenciar processos, um PMS para gerenciar projetos. O trabalho mental continuava sendo feito por pessoas — o software só dava estrutura.
A próxima era é diferente. Agentes de inteligência artificial não substituem a ferramenta, substituem a pessoa que operava a ferramenta. O CRM do futuro não é um lugar onde um vendedor registra atividades — é um agente que executa a prospecção. O ERP do futuro não é um lugar onde contadores classificam lançamentos — é um agente que classifica e concilia.
Foundation Capital chama isso de Services-as-Software. Sequoia chama isso de a maior oportunidade da próxima década. Satya Nadella, em sua conversa com Dylan Patel em 2024, foi ainda mais direto: "O futuro do SaaS é ser substituído por agentes."
A MVA opera nessa fronteira.
Por que o Brasil é um mercado especial para essa tese
O movimento global é real. A especificidade brasileira é o que torna a oportunidade singular.
Nos últimos cinco anos, o Brasil construiu infraestrutura pública digital que poucos países têm. Pix deu trilhos instantâneos de pagamento. eSocial e Siape abriram dados consignáveis em tempo real. Open Finance expôs posição patrimonial dos clientes para terceiros autorizados. Processo Judicial Eletrônico transformou tribunais opacos em fontes de dados estruturados.
Cada uma dessas conquistas é, na prática, uma API nacional. Quem constrói agentes verticais sobre elas tem acesso a contexto operacional que em outros países levaria anos para emular.
Ao mesmo tempo, mercados tradicionais brasileiros continuam com ineficiência massiva de mão-de-obra em tarefas repetitivas. Escritórios de advocacia gerenciam 50 mil processos com triagem manual. Bancos médios originam consignado com correspondente e papel. Investidores perdem leilão judicial porque ninguém consegue ler os diários oficiais a tempo.
Existe, portanto, uma disparidade produtiva: infraestrutura digital de ponta, operação de mercado arcaica. É exatamente o terreno em que agentes verticais de IA geram multiplicadores de 3x a 10x de produtividade. É exatamente o terreno em que a MVA escolheu operar.
Três critérios não-negociáveis para entrar num vertical
Nem todo vertical merece um produto. Nem toda dor merece um investimento de cinco anos. Aplicamos três filtros, por essa ordem:
- Alto volume de trabalho intelectual repetitivo. Sem volume, o ROI da substituição não paga. Processo que ocorre mil vezes por mês num escritório já é candidato. Mil vezes por dia, certeza de negócio.
- Base de dados licenciável ou pública. Agente de IA sem contexto é chute. Processo judicial eletrônico, eSocial, Bacen, tribunais são nosso chão de dados. Sem essa base estruturada, o vertical vira tentativa de brute-forcing por LLM.
- Dor mensurável com cliente disposto a pagar. Substituir 40% do tempo de um advogado tem valor monetário claro. Encurtar 10 dias no ciclo de crédito consignado idem. Se a dor não é convertível em economia ou receita incremental, o produto não tem tração.
Quando os três se alinham, a MVA constrói. Leiloa.ai e LawPilot saíram desse filtro.
Por que produtos e advisory coexistem na MVA
Holdings puras de produto perdem contato com mercado. Consultorias puras perdem credibilidade operacional. A MVA faz os dois deliberadamente, e isso cria composição de valor em três direções.
Primeiro: o advisory financia a paciência dos produtos. Produto vertical em mercado regulado não gera caixa no mês seis. Advisory, sim. Isso dá ao holding horizonte de investimento que competidores puros de produto raramente conseguem.
Segundo: os produtos validam o advisory. Um conselho técnico vale mais vindo de quem opera produto real em produção com números reais. Quando a MVA recomenda arquitetura ou stack num Tech DD, é porque usamos no dia-a-dia, não porque lemos num paper.
Terceiro: advisory é radar de mercado. Estar dentro de M&A de fundos de PE/VC dá visibilidade única sobre o que mercado está construindo, quais verticais estão maduros, onde há entrantes e incumbentes vulneráveis. Esse radar alimenta o pipeline do próprio produto.
Referências que informam essa tese
A convergência dessas ideias é recente. Para quem quer se aprofundar na base conceitual:
- Foundation Capital, "Services-as-Software" (2024) — o ensaio que nomeou a tese.
- Sequoia Capital, "AI's $600B Question" (2024) e follow-ups — framing do shift de produtividade.
- Satya Nadella em conversa com Dylan Patel, 2024 — leitura de dentro da Microsoft sobre o futuro do SaaS.
- Dario Amodei, "Machines of Loving Grace" (2024) — perspectiva da Anthropic sobre aplicação de AGI em trabalho intelectual.
- a16z, "Big Ideas 2025/2026" — catálogo de verticais aplicados.
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